SEJAM TODOS MUITO BEM VINDOS

Aqui é o templo sagrado, em que nos permitimos desfrutar o contemplar da Vida, do Amor, da Alegria, do Perdão, da Gratidão, da Felicidade Plena, da verdadeira Paz ... tudo de bom. Navegue à vontade, deleite-se e se entregue plenamente com todo seu Ser. Um cantinho de amor, realizado para todos nós.

QUEM SOU EU?

EU sou presença Divina da Paz. Eu sou o EU

EU sou presença Divina da Luz. Eu sou o EU

EU sou presença Divina do Amor. Eu sou o EU

EU sou presença de Deus em ação. Eu sou o EU

EU sou a porta aberta do meu coração, que, nada, nem ninguém pode fechar. Eu sou o EU.

quarta-feira, 5 de março de 2014

QUEIXAS E RESSENTIMENTOS - Eckhart Tolle


Queixar-se é uma das estratégias prediletas do ego para se fortalecer.
Cada reclamação é uma pequena história que a mente cria e na qual acreditamos inteiramente. Não importa se ela é feita em voz alta ou apenas em pensamento. Alguns egos que talvez não tenham muito mais com o que se identificar sobrevivem apenas com queixas. Quando estamos presos a um ego assim, reclamar, sobretudo de alguém, é algo habitual e, é claro, inconsciente, o que mostra que não sabemos o que estamos fazendo.
Uma atitude típica desse padrão é aplicar rótulos mentais negativos às pessoas, seja na frente delas ou, como é mais comum, falando sobre elas com alguém ou até mesmo apenas pensando nelas. Xingar é o modo mais rude de atribuir esses rótulos e de mostrar a necessidade que o ego tem de estar certo e triunfar sobre os outros: “idiota”, “desgraçado”, “prostituta”, “etc”, todas essas afirmações definitivas contra as quais não se pode argumentar.
No nível seguinte, descendo pela escala da inconsciência, estão os gritos.
Não muito abaixo disso se encontra a violência física.
O ressentimento é a emoção que acompanha a queixa e a rotulagem mental dos outros. Ele acrescenta ainda mais energia ao ego. Ressentir-se significa ficar magoado, melindrado ou ofendido. Costumamos nos sentir assim em relação à cobiça das pessoas, à sua desonestidade, à sua falta de integridade, ao que estão fazendo no presente, ao que fizeram no passado, ao que disseram, ao que deixaram de dizer, à atitude que deviam ou não ter tomado. O ego adora isso.
Em vez de detectarmos a inconsciência nos outros, nós a transformamos em sua identidade. Quem é o responsável por isso? Nossa própria inconsciência, o ego em nós. Algumas vezes, a “falta” que apontamos em alguém nem mesmo existe. Ela pode ser um erro total de interpretação, uma projeção feita por uma mente condicionada a ver inimigos e a se considerar sempre certa ou superior.
Em outras ocasiões, a falta pode ter ocorrido; contudo, se nos concentrarmos nela, às vezes excluindo todo o resto, nós a tornamos maior do que ela realmente é. E dessa maneira fortalecemos em nós mesmos aquilo a que reagimos no outro, o ego.
Não reagir ao ego das pessoas é uma das maneiras mais eficazes de não só superarmos nosso próprio ego como também de dissolver o ego humano coletivo.
No entanto, só conseguimos nos abster de reagir quando somos capazes de reconhecer o comportamento de alguém como originário do ego, como uma expressão do distúrbio coletivo da espécie humana insana. Quando compreendemos que não se trata de nada pessoal, a compulsão para reagir desaparece.
Não reagindo ao ego, muitas vezes podemos fazer aflorar a sanidade nos outros, que é a consciência não condicionada em oposição à consciência condicionada. Em determinadas ocasiões, talvez precisemos tomar providências práticas para nos proteger de pessoas profundamente inconscientes. Isso é algo que temos condições de fazer sem torná-las nossas inimigas.
Nossa maior defesa, contudo, é sermos conscientes aqui e agora.
Alguém passa a ser um inimigo quando personalizamos a inconsciência dele que é o ego. A não-reação não é fraqueza, mas força. Outra palavra para não-reação é perdão. Perdoar é ver além, ou melhor, é enxergar através de algo. E ver, através do ego, a sanidade que há em cada ser humano como sua essência.
O ego adora reclamar e se ressente não só de pessoas como de situações.
O que podemos fazer com alguém também conseguimos fazer com uma circunstância: transformá-la num inimigo. Os pontos implícitos são sempre os mesmos: “isso não deveria estar acontecendo”, “não quero estar aqui”, “estou agindo contra minha vontade”, “o tratamento que estou recebendo é injusto”, “etc”. E, é claro, o maior inimigo do ego acima de tudo isso é o momento presente, ou seja, a vida em si, o agora.
Não confunda a queixa com a atitude de informar alguém de uma falha ou de uma deficiência para que elas possam ser sanadas. Além disso, abster-se de reclamar não corresponde necessariamente a tolerar algo de má qualidade nem um mau comportamento.
Não há interferência do ego quando dizemos ao garçom que a comida está fria e precisa ser aquecida – desde que nos atenhamos aos fatos, que são sempre neutros.
“Como você se atreve a me servir uma sopa fria?”
Isso é se queixar, isso é ego.
Nessa situação, existe um “eu” que adora se sentir pessoalmente ofendido pela comida fria e ele aproveitará esse fato ao máximo, um “eu” que aprecia apontar o erro de alguém. A reclamação a que me refiro está a serviço do ego, e não da mudança. Algumas vezes fica óbvio que o ego não deseja que algo se modifique para que possa continuar se queixando e continuar existindo.
Veja se você consegue capturar, ou melhor, perceber, a voz na sua cabeça – talvez no exato instante em que ela esteja reclamando de algo – e reconhecê-la pelo que ela é: a voz do ego, não mais do que um padrão mental condicionado, um pensamento.
Sempre que a observar, compreenderá que você não é ela, e sim aquele que tem consciência dela.
Na verdade, você é a consciência que está consciente da voz.
Atrás, em segundo plano, está a consciência.
À frente, se situa a voz, aquele que pensa, o ego.
Dessa maneira você estará se libertando do ego, livrando-se da mente não observada.
No momento em que você se tornar consciente do ego, a rigor ele não será mais o ego, e sim um velho padrão mental condicionado.
O ego implica inconsciência.
Ele e a consciência não conseguem coexistir.
O velho padrão mental, ou hábito mental, pode sobreviver e se manifestar por mais um tempo porque tem o impulso de milhares de anos de inconsciência humana coletiva atrás de si. No entanto, toda vez que é reconhecido, ele se enfraquece.
Só a prática da auto-observação consciente leva ao despertar da consciência e consequentemente com a eliminação do ego.
(para quem realmente quer acordar da ilusão)

terça-feira, 4 de março de 2014

QUANDO O ESPELHO DÓI


Acredito que a baixa autoestima está por trás da maior parte dos males que nos afligem. Desejar ser o que não se consegue ser explica o surgimento de muitos problemas. O esforço em corresponder às expectativas alheias tira muitos de nós do contato com a própria essência, gerando um sentimento de vazio e falta de sentido. Vivemos como autômatos, para cumprir papéis. Esquecemos quem somos.
EM BUSCA DA APROVAÇÃO ALHEIA
Começamos a fazer isso na infância, quando descobrimos que temos o enorme poder de interferir no humor alheio, primeiramente o dos nossos pais. Eles ora sorriem, ora ficam muito zangados, dependendo de nosso comportamento. Que fantástico! Mas que triste também, pois começamos a acreditar, a partir desta descoberta, que o amor é condicional. Concluímos que seremos amados ou não, de acordo com o que o outro, começando pelos nossos pais, interpretar de nossas atitudes. E passamos a crer que não temos valor por sermos quem somos, mas por sermos o que nossos pais desejam que sejamos.
Mais tarde, o outro se estende à comunidade, passa do pai e da mãe ao amigo, ao namorado ou namorada, ao colega de trabalho etc. E com o aumento deste círculo de relações, crescem as demandas, as exigências de como devemos ser para agradar.
ANSIEDADE, DEPRESSÃO E DISTÚRBIOS ALIMENTARES
Num mundo civilizado, com grandes centros urbanos onde pululam milhares de pessoas torna-se cada vez mais difícil atender às expectativas de todas elas. É preciso ser mais que humano para sentir-se digno do amor que se procura. Assim, multiplicam-se os quadros de ansiedade e depressão. Ansiedade por que há muito o que fazer, e depressão porque não se consegue fazer tanto.
Um retrato deste problema são os distúrbios alimentares, que atacam homens e mulheres, mas especialmente as mulheres. Não deve ser à toa, visto que as mulheres, no seu movimento de emancipação doméstica, assumiram uma sobrecarga de responsabilidades praticamente insustentável. Vivemos numa geração de super-mulheres que cuidam do lar, dos filhos, do trabalho, dos subordinados, da própria aparência, de tudo!
Naturalmente, mulheres ou não, por algum meio os perfeccionistas precisam descarregar sua tensão. Comer é uma forma fácil, acessível, rápida e eficiente de fazer isso. Comendo, é possível sentir prazer, obter a satisfação desejada, pelo menos por alguns deliciosos minutos. E mais! Comer muito tranqüiliza, já que o organismo se volta para a digestão, causando uma sonolência gostosa. Só tem um problema: engorda. E gordo, não é possível agradar. Adeus ideal de beleza, de saúde e perfeição!… Oh! Ser gordo dói! A imagem refletida no espelho dói!… Na receita de sucesso do século XXI não há clemência para os gordos.
Que fazer? Vomitar, tomar remédio, tentar enganar o corpo com os dietéticos, fazer lipo, redução de estômago, armar uma guerra contra o sobrepeso. Uma guerra inglória, que implica abrir mão do prazer antigo de se alimentar sem culpa.
O DESAFIO DE SER QUEM REALMENTE SE É
Mas o que queremos com esta guerra, mesmo? Qual seu objetivo? Ora, já dissemos: nos sentir amados. Porém, não está funcionando. O que tem acontecido é que, na busca do amor, estamos ficando sozinhos. Quem não sabe o que é estar só até mesmo no meio da multidão?
Parece que sentir-se amado não tem muito a ver com agradar a todos. Por incrível que pareça, tudo indica que o importante nesta busca não é ser perfeito, mas ser o que se é.
Se não somos nós mesmos, se somos o que achamos que esperam de nós, o amor provocado pelo nosso esforço não chega até nós. Não o sentimos. Claro! Já que no íntimo duvidamos, não sabemos se o outro ama a essência escondida ou a aparência revelada. E por isso não nos reconhecemos amados, por mais que nos esforcemos, pois nos perguntamos: “E se eu mostrasse meu verdadeiro eu, o que sou, será que o outro me amaria?”
Bem se vê que tentar ser perfeito, encaixar-se num ideal imposto, é um engodo. Não apenas é impossível, como não faz ninguém feliz. Enfim, parece que o equilíbrio psicológico começa na autoestima e o segredo da autoestima positiva é achar-se digno. Digno de ser amado como se é.
Obviamente, poderemos sempre melhorar, crescer, mas não como uma condição para receber afeto. Porém porque nos amamos e queremos o melhor para nós. Porque merecemos ser melhores. Por nós. Não se trata de egoísmo ou de não reconhecer os próprios limites, mas ao contrário, trata-se de reconhecê-los, sem deixar de ver as próprias possibilidades.

segunda-feira, 3 de março de 2014

UM NOVO TIPO DE DOENÇA É CAUSADA PELO ASPARTAME

Uma nova doença chamada de Artifical Sweetener Disease (ASD, ou Doença do Adoçante Artificial) está varrendo toda a América, afetando dezenas de milhares de consumidores, e a medicina ocidental chama isso de qualquer coisa menos o que realmente é, de modo que os médicos podem prescrever medicamentos caros e marcar “check ups” para as semanas seguintes.
Chame isso de dores de cabeça recorrentes, enxaquecas insuportáveis, depressão, ansiedade, dor muscular, surtos de artrite, zumbido ou zumbido nos ouvidos, fadiga crônica, fibromialgia, síndrome do intestino irritável (SII), doença de Crohn, inflamação, mesmo o refluxo ácido, mas não chame isso de ASD, ou o paciente pode parar de consumir adoçantes sintéticos, e então não agendar mais visitas no médico.
Os sintomas do ASD pode mudar durante a noite, dependendo de quanto você consome adoçante químico, e quais adoçantes. Algumas combinações são especialmente tóxicas. Os consumidores podem ter desde uma dor de cabeça até uma enxaqueca e vômitos ou problemas de visão e uma indisposição gástrica. Muitas pessoas experimentam distúrbios do sistema nervoso, cólicas, tiques nervosos e reflexos anormais.
Não é uma coincidência que uma onda de casos de fibromialgia atingiram as tropas americanas durante a Guerra do Golfo. Estudos revelaram que o consumo de refrigerantes diet no calor de 48 graus leva à repercussões graves para a saúde. Foi inteligentemente contabilizado sob o termo “Síndrome da Guerra do Golfo”, mas os mesmos problemas estão ocorrendo nas tropas no Iraque e no Afeganistão agora.
Também não é coincidência que 4 de 5 casos de fibromialgia afetam as mulheres, que são mais propensas a comer alimentos diet e consumir bebidas dietéticas do que os homens. Quase todas as balas de goma de mascar e mentoladas são carregadas com adoçantes artificiais.
O ditado popular que diz que “não há suficiente adoçante artificial em qualquer produto específico para causar problemas de saúde” é uma mentira, especialmente agora que em 2011 existem adoçantes sintéticos em mais de 25% de todos os alimentos, bebidas, gomas e doces disponíveis. Este efeito cumulativo criou ASD, e graças a pouca ou nenhuma regulamentação de agentes químicos em alimentos,isto não vai desaparecer tão cedo.

domingo, 2 de março de 2014

QUEM TEM MEDO DE ERRAR?


Quem tem medo de errar?
Na minha experiência de psicóloga tenho acompanhado a preocupação quase obsessiva, de grande parte das pessoas, em fazer o que é certo. Muitas me procuram para eu lhes ensinar a maneira correta de agir, contudo tento explicar que meu papel não é de conselheira, mas de facilitadora do processo de se tornarem elas mesmas.
A TEORIA PARADOXAL DA MUDANÇA
Parece absurdo, mas a causa de nossos problemas psicológicos consiste muitas vezes em não sermos nós mesmos. A psicoterapia não se guiará pela necessidade de ser diferente, pelo contrário, sua proposta é reencontrar a nossa essência, o que realmente somos. Quando formos nós mesmos, mudaremos, não por causa da vontade de fazer o certo e evitar o errado, mas pela própria natureza humana, que é de mudança, crescimento e busca de equilíbrio. A isto se chama “teoria paradoxal da mudança”.
Não estou afirmando que devemos fazer tudo que vier à cabeça, sem restrições. Claro que a necessidade de convivermos uns com os outros nos impõe certas regras de conduta que devem ser respeitadas. Alguns limites devem ser estabelecidos em nome de nossa natureza gregária, e não poderíamos viver em comunidade, se não houvesse critério de certo e errado.
Porém o que reflito é sobre o medo freqüente – quase desesperado – de errar. E por trás deste medo, me parece, um medo maior ainda de desagradar os outros. Medo de não ser amado, de ficar sozinho, de ser excluído. Medo que acaba se transformando em angústia e ansiedade, já que não errar demanda muita energia, atenção total, vigilância constante. Não me parece que esse tipo de vigilância seja saudável. A longo prazo, acaba adoecendo qualquer pessoa. Os certinhos demais são famosos por sua chatice e estresse.
ESTAR VIGILANTE : O CAMINHO DA CONSCIÊNCIA PLENA
É verdade que Jesus, alicerce moral de nossa cultura, disse que é necessário “orar e vigiar”, mas disse também que não devemos nos preocupar com o dia de amanhã, porquanto “a cada dia já basta o seu mal”. Interessante que tais recomendações, se forem tomadas separadamente, parecerão contraditórias. Entretanto, são complementares. Estar vigilante pode ser considerado estar atento a si mesmo, não para não errar, mas para se conhecer. Saber o que se passa dentro de si em cada situação, sem o olhar impiedoso do Juiz, mas com a compreensão tolerante do Pai. É o que os budistas denominam “consciência plena”.
Tal consciência não nasce do medo de errar, mas do auto amor, da auto aceitação. É preciso muita coragem e vontade de ser feliz para checar sinceramente as próprias intenções e o que está por trás das nossas atitudes. Quando tomamos consciência do que realmente nos move, é que podemos fazer escolhas conscientes e deixar de nos sentir vítimas das circunstância. Uma vida consciente e não uma vida de medo é que nos impedirá de sermos tragados pelo roldão das necessidades, dos instintos, dos complexos desconhecidos.
VIVER SEM MEDO
Por isso não devemos estar preocupados com o dia de amanhã, estressados na avaliação do certo e do errado. Se vivermos o aqui-e-agora, cada dia por vez, não teremos tanto medo de errar. Como estamos atentos, os erros serão realmente fruto da ignorância (não da irreflexão), e o seu conseqüente aprendizado será bem vindo. Se tivermos medo de errar, ficando inertes ao invés de agir, retardaremos este aprendizado.
O medo paralisa, e a paralisia contraria o rumo da vida, que é movimento, mudança. Por isso se adoece de medo, porque não é possível estancar, sem danos, o fluxo natural da vida. Pânico, depressão, ansiedade, são todos, em essência, derivados do medo de viver e sujeitar-se à inconstância da vida. Entretanto, com ou sem medo, a vida acontece, e por isso, sugiro a todos: arrisquem! Viver é um risco. A vida é fugaz, mesmo.
Não percamos tempo tendo medo de errar. Tentemos, antes disso, amar a nós mesmos. Isto nos tornará aptos a amar os outros sem esforços descomunais. Seja nosso amor o combustível do dia-a-dia. Erros acontecerão, sem dúvida, mas se temos amor, o perdão se faz presente, o erro passa, e a chance de acertar ressurge, sempre, generosamente.

sábado, 1 de março de 2014

SOZINHOS, NÃO SOLITÁRIOS



Solidão é, para muitos, um terrível fantasma. Temida, mas inevitável num ou noutro momento, torna-se, não raro, a companheira da velhice. Mas na verdade está presente a vida inteira, desde a infância.
PARA SEMPRE SOZINHOS
Isto porque existe uma solidão inerente à existência. Ser só é a condição primordial para ser um indivíduo, considerando-se que nunca alguém sentirá da mesma forma, com o mesmo sentir, a mesma intensidade, o mesmo colorido, o que outra pessoa está sentindo. Quando eu sinto, muitas vezes penso; e o meu pensar, para chegar até outrem, tem que se revestir de um código, seja uma palavra ou gesto. Entre o eu e o outro já existe, notoriamente, uma distância a ser percorrida pelo símbolo ou sinalização. E, já não bastasse isso, há que passar ainda o pensamento original pela barreira da interpretação. O que eu digo deve ainda ser interpretado pelo outro. E cada interpretação deriva de uma experiência própria, única, intransferível.
Daí estarmos sempre sozinhos. Porém não significa que devemos estar solitários.
SOZINHO X SOLITÁRIO
Há uma sutil diferença entre sentir-se sozinho e estar solitário. Ser só, como dissemos, é humano. Solitário, não. Sentimos necessidade de acompanhar uns aos outros, pois somos instintivamente seres gregários. Nossa natureza nos obriga a precisar de companheiros.
Que faz um homem solitário? Que poderá construir, realizar, edificar, sem o concurso de algum parceiro? Que teria sido da raça humana, não fossem os primatas se reunindo em bandos, em grupos de caçadores e agricultores?
Tolo aquele que pensa poder prescindir dos demais. A vida ensinará que não pode estar à parte.
Alguns dizem ser como peixes fora do aquário, reclamam não encontrar com quem compartilhar as idéias. Isolam-se enquanto lamentam a própria inadequação, mas na verdade estão ilhados no orgulho. Com que ar de superioridade não dizem que os demais pensam diferente, em comentários de disfarçada humildade, quando queriam dizer que os outros pensam pobremente, que não lhes estão à altura!…
PARA EVITAR A SOLIDÃO
Mas a vida ensina. Chega o dia em que somos todos iguais, irremediavelmente: o dia da doença, da aproximação da morte, do medo, da carência afetiva, como foi o dia em que nascemos. Quando se precisa de um colo, pouco importa o quanto se pode conversar, trocar idéias. Colo é colo, e um sábio pode se comprazer no colo de um ignorante, se ali sentir-se verdadeiramente amado. Assim, o bebê, que desconhece ainda a força do verbo, vive como ninguém a experiência de ser uno com o outro.
Ser uno com o outro é não julgar, nada esperar, simplesmente estar presente. É o momento em que a distância que nos separa da outra pessoa reduz-se ao máximo, e nos damos conta de que, embora sejamos sempre únicos, não estamos à parte.
Para evitar a solidão, é preciso aprender a ver o que está além dos olhos. Ver dentro do outro. Ser empático. Quando o outro parecer tão diferente a ponto de nos calar devido a impossibilidade de fazer um contato pela linguagem, é preciso primar o contato com o potencial do outro. Como disse Terêncio*: “Sou humano, e nada humano é estranho”. Em algum aspecto, já que somos todos humanos, nos encontramos, e o desafio está em nos permitirmos este encontro.
Às vezes ficamos acomodados na perspectiva de que alguém nos arranque da solidão. Que alguém preencha nosso vazio interior. Mas esta é uma tarefa para nós mesmos. Como esperar que o outro venha se não o convidamos? Se quando ele vem, o submetemos a um teste de seleção? E nosso interior vazio não está assim pela falta de outra pessoa, mas pela falta de nós mesmos. Quando vivemos uma vida alheia a nós mesmos, quando esquecemos quem realmente somos, quando ignoramos nosso potencial, aí sim vem o vazio. Estamos então simplesmente ocos.
Todos nascemos sozinhos, não solitários. Solitários, nós que nos fazemos. E assim, não fazemos nada.